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📅 21/10/2026 ⏱ 18:55 📡 Medicina S/A 🤖 Gerado Automaticamente 🏷 SAúDE

Apenas 21,8% empresas agem sobre as causas do adoecimento mental

As organizações participantes avançaram na criação de mecanismos de proteção e cuidado, mas ainda têm dificuldade de agir sobre as condições de trabalho que geram adoecimento. É o que aponta o Radar de Maturidade em Saúde Mental e Gestão de Riscos Psicossociais 2026, desenvolvido e realizado pela Bee Touch, com promoção da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV). O Radar foi aplicado on-line entre agosto e outubro de 2026, durante a preparação e a realização do 24º CBQV, em São Paulo. Foram 124 respostas válidas de profissionais de organizações de diferentes portes e setores, com destaque para indústria e manufatura (15,3%), saúde e serviços hospitalares (14,5%) e transporte, logística e mobilidade (12,1%). Organizações com mais de mil trabalhadores representaram 42,7% da amostra. O índice médio de maturidade foi de 55,3%. Quase metade dos respondentes (46,8%) ficou nos estágios mais avançados da escala, Integrado e Transformador, enquanto 25,8% ainda estão nos estágios iniciais, Reativo e Emergente.

A prática mais presente é a estrutura formal para violência e assédio, com política, canal de denúncia, apuração e sanções, declarada por 63,7% dos participantes. Em seguida vem o acesso estruturado a apoio psicológico, com 44,4%. O contraste aparece quando se olha para a prevenção. Apenas 21,8% declararam intervenções formais nas condições de trabalho, como distribuição de demandas, autonomia, clareza de papéis e redesenho de funções. A diferença entre cuidado e intervenção foi de 18,1 pontos percentuais, estatisticamente significativa. “ As empresas aprenderam a acolher quem adoece. O próximo passo é mudar o trabalho que adoece, e é exatamente isso que a NR-1 passa a exigir”, afirma Ana Carolina Peuker, coordenadora técnica do Radar.

Desde maio de 2026, a NR-1 inclui os fatores de riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), o que exige identificar, avaliar e controlar riscos na organização do trabalho, e não apenas oferecer assistência. A avaliação formal e periódica de riscos e o uso integrado de dados nas decisões aparecem em 37,9% das respostas cada, e o monitoramento de indicadores em 35,5%. Governança estratégica formalizada e formação contínua de lideranças ficam em 28,2%. Programas regulares de capacitação somam 25,8%, mesmo índice aproximado de segurança psicológica para falar sobre saúde mental e de reporte externo estruturado (25%). O menor resultado é o ciclo documentado de melhoria contínua, com 21%. “ A liderança decide prioridades, distribui tarefas e define o clima do dia a dia. Sem gestores preparados e sem um ciclo de revisão baseado em dados, as boas iniciativas não se sustentam.

O desafio agora é sair da resposta pontual para a gestão contínua”, destaca Peuker. Organizações maiores tendem a ter índices mais altos: 63,4% entre as com mais de mil trabalhadores, contra 36,4% entre as com até 50. Mas o porte respondeu por apenas 11,1% da variação, o que indica que governança, preparo das lideranças e processos de prevenção pesam mais do que o tamanho da empresa. O Radar é uma ferramenta digital de autoavaliação com devolutiva imediata, desenvolvida pela equipe técnica da Bee Touch. Tem 12 perguntas pontuadas sobre práticas organizacionais e uma pergunta complementar, com classificação em cinco estágios: Reativo, Emergente, Estruturado, Integrado e Transformador. A amostra é voluntária e autodeclarada; os resultados descrevem os participantes e não representam o conjunto das organizações brasileiras nem equivalem a certificação de conformidade com a NR-1 ou a ISO 45003.

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