Introdução
Conhecer a etiologia microbiana das infecções de sítio cirúrgico (ISC) após fusão espinhal é fundamental para otimizar o manejo clínico. Dados nacionais recentes nos Estados Unidos sobre a prevalência e os fatores associados a infecções por bactérias gram‑negativas ainda são escassos.
Métodos
Foi realizada uma análise transversal dos registros do National Healthcare Safety Network (CDC) de 2021‑2022, incluindo 7.187 casos de ISC após fusão espinhal. Foram avaliados os microrganismos isolados e as características clínicas associadas às infecções gram‑negativas, comparando‑as com infecções monomicrobianas por Staphylococcus aureus.
Resultados
Organismos gram‑negativos foram responsáveis por 31,5% (2.265) das infecções. Fatores independentes associados a esse tipo de infecção incluíram idade avançada, sexo feminino, índice de massa corporal elevado, tempo operatório prolongado, classe ASA mais alta, envolvimento lombar, cirurgia hospitalar, e procedimentos de emergência ou trauma.
Discussão
Esses achados identificam coortes de alto risco que podem se beneficiar de regimes profiláticos ampliados contra gram‑negativos. O perfil de risco pode orientar a escolha empírica de antibióticos, melhorando a cobertura contra esses patógenos.
Conclusão
As infecções gram‑negativas representam quase um terço das ISCs após fusão espinhal nos EUA. Reconhecer os fatores associados permite direcionar estratégias preventivas e terapêuticas mais eficazes.