O Hospital do GRAACC desenvolveu uma metodologia inédita para rastrear material genético do retinoblastoma em sangue, líquor e medula óssea de crianças em tratamento, usando biópsia líquida e PCR digital de alta sensibilidade. Essa abordagem permite monitorar o tumor de forma minimamente invasiva, evitando a biópsia direta no olho, que pode espalhar células cancerígenas.
Modelo baseado em RNA
Ao focar em fragmentos de RNA dos genes retinais CRX e RBP3, os pesquisadores criaram um modelo completo e de alta precisão que reflete dinamicamente a atividade do câncer. O RNA circulante funciona como uma impressão digital do tumor, oferecendo informações que o DNA não fornece e permitindo detectar a presença do retinoblastoma mesmo quando exames microscópicos são normais.
Resultados promissores
Em 433 amostras de 50 pacientes, a técnica identificou sinais moleculares em 32 crianças e revelou rastros na medula óssea em 27 amostras que o mielograma considerou normais, demonstrando sensibilidade superior aos métodos convencionais. Os achados foram publicados no International Journal of Molecular Sciences.
Impacto clínico
O monitoramento contínuo do RNA tumoral permite decisões terapêuticas mais personalizadas: detectar disseminação precoce, avaliar a eficácia da quimioterapia e antecipar recidivas. Assim, os profissionais podem ajustar a frequência de exames e iniciar intervenções mais cedo, melhorando a qualidade de vida e as chances de cura das crianças.
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