Um estudo publicado na revista Human Vaccines & Immunotherapeutics mostrou que as consultas por lesões pré-cancerígenas do colo do útero em adolescentes diminuíram quase 78% após a introdução da vacina contra HPV no SUS. A análise, baseada em dados do Sistema de Informações Ambulatoriais de Saúde, comparou o número de primeiras consultas entre 2011 e 2023, evidenciando uma queda de 474 atendimentos em 2011 para apenas 136 em 2023.
Impacto da vacinação
Desde 2014 o SUS oferece a vacina a meninas e, a partir de 2017, também a meninos na faixa etária de 9 a 14 anos. Essa ampliação de cobertura coincidiu com a redução drástica da taxa de consultas por 100 mil adolescentes, que passou de 7,1 em 2015 para 1,8 em 2023. Os pesquisadores afirmam que o efeito não pode ser atribuído a mudanças seculares no comportamento sexual, mas sim à proteção conferida pela imunização.
Contraste com outras ISTs
Enquanto as lesões cervicais caíram, as primeiras consultas por outras infecções sexualmente transmissíveis aumentaram de 1,7 para 10,8 por 100 mil adolescentes no mesmo período, indicando que a tendência de busca por serviços de saúde permanece alta, mas o benefício da vacina é específico para o HPV.
Projeções e recomendações
Os autores estimam que, sem a vacinação, cerca de 5 mil consultas adicionais teriam ocorrido entre 2011 e 2019. Eles ressaltam a necessidade de manter altas coberturas vacinais e de resgatar jovens que perderam a oportunidade de se vacinar, além de sugerir a expansão gradual da faixa etária elegível.
Perspectivas de erradicação
De acordo com a OMS, a erradicação do câncer de colo do útero é viável se houver vacinação massiva, rastreamento adequado e tratamento precoce das lesões. O estudo reforça que a vacinação contra HPV continua sendo a estratégia mais eficaz para prevenir não só o câncer cervical, mas também outros tumores associados ao vírus.
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