Contexto e objetivo
Após a pandemia de COVID‑19, surtos de Mycoplasma pneumoniae foram observados em todo o mundo, com gravidade particularmente alta em Taiwan. Este estudo multicêntrico avaliou as tendências da infecção em crianças, comparando os dados de 2024 com o pico de 2019.
Principais achados epidemiológicos
Em 2024, a incidência duplicou‑se, atingindo 546 casos por 100 000 habitantes. As internações em unidades de terapia intensiva aumentaram 2,2 vezes (10,9/100 000) e as complicações do sistema nervoso central cresceram 13,7 vezes (6,1/100 000).
Fatores de risco para internação em UTI
Em uma coorte prospectiva de 2023‑2024 (n = 226), os principais fatores associados ao risco de UTI foram: neutrófilos >7 000/µL (OR ajustado = 6,2), plaquetas >400 × 10³/µL (OR ajustado = 12,5), derrame pleural (OR ajustado = 9,7) e envolvimento do sistema nervoso central (OR ajustado = 27,9).
Análise filogenética
A análise de 698 genomas revelou quatro subclados emergentes que substituíram as linhagens pré‑COVID‑19 até meados de 2024. Um desses subclados esteve associado a desfechos graves, indicando a evolução de linhagens resistentes e neurotrópicas.
Implicações
Os resultados apontam para a necessidade de reforçar a vigilância epidemiológica e desenvolver estratégias de tratamento que considerem a resistência a macrolídeos e a potencial neurotrofismo desses novos subclados.