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📅 02/09/2026 ⏱ 17:10 📡 Medicina S/A 🤖 Gerado Automaticamente 🏷 SAúDE

Quedas respondem por mais da metade das hospitalizações por acidentes com crianças em SP

As quedas responderam por mais da metade das hospitalizações de crianças e adolescentes de até 14 anos decorrentes de acidentes em São Paulo em 2025. Foram 10.518 internações, equivalentes a 53% das 19.837 hospitalizações provocadas por lesões não intencionais no Estado. A participação é superior à média brasileira, de 43,4%. As informações constam de levantamento inédito realizado pelo Projeto Criança Segura, da Aldeias Infantis SOS, organização global que lidera o maior movimento de cuidado do mundo, com base em dados do Ministério da Saúde. A pesquisa também revela que São Paulo apresentou o maior número absoluto de hospitalizações por acidentes entre as unidades federativas analisadas. O Estado concentrou 15,4% de todas as 128.466 internações registradas no país em 2025. Quando considerado o tamanho da população, a taxa paulista foi de 45 hospitalizações por 100 mil habitantes, abaixo da média nacional de 63. Ainda assim, atrás dos Estados da Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Sergipe. O número absoluto de ocorrências, no entanto, traz a gravidade da situação.

O peso das hospitalizações por quedas acidentais é ainda mais evidente quando comparado ao conjunto do país. As 10.518 internações paulistas representam 18,8% de todas as hospitalizações por quedas registradas entre crianças e adolescentes no Brasil, que somaram 55.814 casos em 2025. Em São Paulo, a categoria também aparece com forte concentração em diferentes tipos de ocorrência: foram 2.493 hospitalizações por quedas no mesmo nível provocadas por escorregões ou passos em falso e outras 1.791 por quedas no mesmo nível, os maiores números do país para essas categorias. O levantamento também chama atenção para os registros de afogamentos. Embora representem uma parcela pequena das hospitalizações, São Paulo concentrou 84 dos 261 casos registrados no Brasil em 2025, cerca de 32,2% do total nacional. Entre os acidentes ocorridos no Estado, as piscinas responderam por 54,8% dos afogamentos, enquanto rios, mares, lagos e outras águas naturais corresponderam a 28,1%. Os sinistros de trânsito também tiveram incidência importante em São Paulo, somando 2.780 hospitalizações em 2025, 22% de todas as ocorrências registradas no país. É um tipo de lesão não intencional em que o Estado também está acima da média nacional. “O volume expressivo de internações por quedas e a concentração de ocorrências em determinados tipos de acidente mostram a importância de identificar os riscos presentes nos diferentes ambientes onde as crianças vivem, estudam e circulam.

Informação e ambientes mais seguros e supervisionados são fundamentais para evitar que situações preveníveis resultem em lesões e hospitalizações. E isto inclui, necessariamente, autocontrole no uso de celulares e redes sociais por parte de pais, mães e outras pessoas responsáveis”, afirma José Carlos Sturza de Moraes, cientista social, Ponto Focal do Projeto Criança Segura da Aldeias Infantis SOS. Em diálogo com especialistas em tratamento e prevenção de traumas, o estudo aponta ainda que mais de 90% dos acidentes são evitáveis, reforçando a importância de estratégias de prevenção adaptadas às diferentes realidades. No caso das quedas, a qualidade dos registros é apontada como um desafio: nacionalmente, uma parcela expressiva das ocorrências não informa de maneira precisa como o acidente ocorreu, o que dificulta a identificação dos fatores de risco e o planejamento de ações preventivas. O estudo da Aldeias Infantis SOS também traz dados referentes a mortes de crianças e adolescentes de até 14 anos em todo o Brasil no ano de 2024. A soma das oito categorias analisadas revela que, naquele ano, foram registradas 3.341 mortes. No levantamento, as sufocações foram a principal causa, com 1.039 óbitos (ou 31,1% do total de casos registrados), seguidas por acidentes de trânsito, com 922 (27,6%), e afogamentos, com 850 (25,4%). Juntas, essas três causas responderam por, aproximadamente, 84,1% das mortes totais do período analisado. O perfil da mortalidade também muda conforme a idade.

Crianças de 1 a 4 anos concentraram 1.095 mortes, ou 32,8% do total, enquanto os menores de 1 ano somaram 930 óbitos (27,8%). Entre as sufocações, 75% das mortes vitimaram bebês, enquanto os afogamentos concentraram vítimas de 1 a 4 anos. Já os acidentes de trânsito atingiram diferentes perfis, incluindo ocupantes de automóveis e caminhonetes, pedestres, motociclistas e ciclistas. Para Sturza, os dados reforçam, no conjunto, a necessidade de ampliar a prevenção e qualificar as informações sobre acidentes e riscos de morte. “A Aldeais Infantis SOS defende que famílias, profissionais de saúde, gestores públicos e demais atores envolvidos na proteção da infância atuem conjuntamente para engajar a sociedade em campanhas de conscientização e promover ambientes mais seguros e efetivamente protetores. O desafio, para todos nós, é fomentar uma cultura de cuidado e de responsabilidade coletiva sobre a segurança e o bem-estar de nossas crianças e nossos adolescentes, para que possam se desenvolver plenamente como indivíduos”, conclui o pesquisador.

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