Partos no Brasil: Cesarianas Superam Recomendação da OMS
No Brasil, a proporção de partos vaginais realizados caiu de forma consistente nos últimos 23 anos. As cesarianas avançaram e passaram a representar 60,6% dos nascimentos registrados no país em 2024 – percentual muito acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), cuja orientação é de que esse procedimento corresponda de 10 a 15% dos partos.
Segundo o levantamento, o cenário atual representa uma inversão em relação aos números do início da série histórica, em 2001, quando 61,5% dos partos realizados ocorreram por via vaginal. Já em 2024, dos 2,4 milhões de nascimentos registrados no país, quase 1,4 milhões foram cesarianas, sendo apenas 39,4% dos partos por via vaginal.
Desigualdades Sociais e Cesarianas
A análise da realização de cesarianas por nível de escolaridade, em 2024, mostra que a proporção de procedimentos aumenta conforme o nível de estudo. A maior taxa foi registrada entre mulheres com 12 anos ou mais de escolaridade, que somaram aproximadamente 437 mil cirurgias, o equivalente a 74% dos 588 mil partos desse recorte.
No recorte por raça/cor, as mulheres pardas concentraram o maior volume absoluto de cirurgias, visto que são maioria na população. As mulheres pardas com 772 mil cesarianas entre os 1,3 milhão de partos, uma proporção de 58%. Proporcionalmente, no entanto, são as brancas que apresentam a maior proporção: foram 529 mil cesáreas (67%) entre seus 786 mil partos.
Esforços para Reduzir Cesarianas
“É importante não ver a maior proporção de cesáreas entre as mulheres brancas e de maior escolaridade como uma vantagem em si. Essas desigualdades revelam um pano de fundo de maior riqueza desses grupos, maior acesso a planos privados de saúde e, por consequência, maior percentual de cesáreas”, ressalta Aluísio Barros, diretor do Centro Internacional de Equidade em Saúde da Universidade Federal de Pelotas (CIES/UFPel).
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