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📅 01/10/2026 ⏱ 15:55 📡 Medicina S/A 🤖 Gerado Automaticamente 🏷 CIêNCIA

Novas estratégias ampliam tratamento do câncer de mama triplo-negativo

O avanço no conhecimento sobre a biologia do câncer de mama triplo-negativo vem ampliando as estratégias de tratamento para esse subtipo da doença. Além da quimioterapia, dependendo das características de cada caso, hoje podem ser consideradas abordagens como imunoterapia, terapias direcionadas a grupos específicos de pacientes e anticorpos conjugados a medicamentos, os ADCs. Nesse cenário, a avaliação individualizada e a escolha da primeira linha de tratamento ganham relevância na definição do cuidado. Esse foi um dos principais temas discutidos no encontro “Câncer de mama triplo-negativo: o que está mudando no tratamento e por que isso importa para as pacientes brasileiras? ”, realizado em São Paulo, que reuniu o oncologista Antonio Carlos Buzaid, Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia, e Elisangela Moreira, diagnosticada com câncer de mama triplo-negativo aos 37 anos. A conversa abordou diagnóstico, evolução do tratamento, individualização do cuidado, qualidade de vida, acesso à informação e os desafios enfrentados pelas pacientes ao longo dessa jornada. O tema ganha relevância em um contexto de alta incidência da doença no país. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no triênio 2026–2028. Excluindo os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre as brasileiras e corresponde a cerca de 30% dos novos casos estimados na população feminina. Em 2024, foram registradas 20.849 mortes por câncer de mama no país, segundo o Atlas de Mortalidade por Câncer/SIM. Apesar da relevância do tema, ainda existem lacunas importantes de informação.

Uma pesquisa Datafolha encomendada pela Gilead Oncology, em 2023, com 1.007 mulheres de 25 a 65 anos, de todas as regiões do país, mostrou que 69% das entrevistadas se consideram bem-informadas sobre câncer de mama. No entanto, apenas 11% conseguiram mencionar algum tipo de tumor de mama ou estágio da doença. O levantamento também mostrou que 16% acreditavam que todos os cânceres de mama eram iguais. “Quando falamos em câncer de mama, é importante entender que não estamos diante de uma doença única. Existem diferentes subtipos, com características biológicas próprias, e essa identificação é fundamental para orientar a avaliação clínica e as possibilidades de tratamento de cada paciente”, afirma Antonio C. Buzaid, Diretor Médico Geral dos Centros de Oncologia dos Hospitais Nove de Julho e Samaritano Higienópolis, da Rede Américas. Entre os subtipos do câncer de mama está o câncer de mama triplo-negativo, que representa cerca de 10% a 15% dos casos. O nome decorre da ausência de três características utilizadas na classificação do tumor: receptor de estrogênio, receptor de progesterona e superexpressão de HER2. Por isso, tratamentos hormonais e terapias direcionadas ao HER2 não se aplicam da mesma forma a esses tumores. Historicamente, o câncer de mama triplo-negativo está associado a um comportamento mais agressivo e a maiores desafios terapêuticos do que alguns outros subtipos.

Quando a doença se torna metastática, ou seja, quando células originadas na mama atingem órgãos ou tecidos distantes, como ossos, fígado, pulmões ou cérebro, a definição da estratégia inicial de tratamento torna-se ainda mais relevante. Nesse cenário, a inovação tem desempenhado um papel importante na evolução do tratamento do câncer de mama triplo-negativo. O maior conhecimento sobre a biologia da doença e a identificação de novas estratégias terapêuticas vêm permitindo abordagens cada vez mais individualizadas, que consideram as características do tumor e de cada paciente. A estratégia terapêutica passou, assim, a incorporar diferentes possibilidades. Além da quimioterapia e, dependendo das características de cada caso, podem ser consideradas abordagens como imunoterapia, terapias direcionadas a grupos específicos de pacientes e anticorpos conjugados a medicamentos, os ADCs. A definição do tratamento considera uma combinação de fatores, como características do tumor, presença de biomarcadores, tratamentos já realizados, condição clínica da paciente, benefícios e riscos das diferentes estratégias e possíveis impactos na qualidade de vida. Nesse planejamento, a definição da primeira linha é especialmente relevante, já que pode influenciar as possibilidades consideradas nas etapas seguintes do cuidado. “No câncer de mama metastático, a escolha da primeira linha de tratamento pode influenciar as etapas seguintes da jornada. Por isso, a avaliação individualizada, considerando características do tumor, condição clínica, biomarcadores, riscos, benefícios e preferências da paciente, é cada vez mais importante”, complementa Buzaid. Para Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia, essa individualização também precisa considerar tudo o que acontece na vida da paciente para além da doença.

“O tratamento é uma parte importante da jornada, mas não é a única. Para muitas mulheres, existem desafios desde o momento de buscar um diagnóstico até conseguir compreender suas opções de cuidado, reorganizar a rotina, lidar com os impactos emocionais e encontrar uma rede de apoio. Olhar para a paciente de forma integral é tão importante quanto olhar para a doença”, afirma Luciana. Além dos aspectos clínicos, a jornada de uma paciente com câncer de mama pode envolver efeitos adversos do tratamento, fadiga, controle de sintomas, ansiedade relacionada aos exames e impactos no trabalho, na vida financeira, na sexualidade, na imagem corporal, na autonomia, nas relações familiares e nos projetos pessoais. Por isso, o acesso à informação clara, o apoio adequado e a participação nas decisões sobre o cuidado também são componentes importantes dessa experiência. “Falar sobre câncer de mama triplo-negativo vai além de discutir ciência e opções de tratamento. É também falar sobre pessoas, histórias e jornadas que são únicas. Uma comunicação efetiva deve combinar informação médica de qualidade com sensibilidade, contexto e respeito à experiência de cada paciente”, afirma Fernanda Fortes, Medical Scientist Associate da Gilead Sciences Brasil. Ao final do encontro, os participantes reforçaram três mensagens centrais: câncer de mama não é uma doença única; o conhecimento sobre a biologia do câncer de mama triplo-negativo continua avançando; e o cuidado precisa considerar não apenas a doença, mas também a vida da paciente para além do consultório, incluindo qualidade de vida, autonomia, acesso à informação confiável e participação da paciente nas decisões.

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