As mudanças climáticas estão ampliando a incidência de doenças infecciosas no Brasil, com o Aedes aegypti expandindo sua área de transmissão para regiões antes protegidas por climas mais frios. Em 2024, o Rio Grande do Sul registrou quase 210 mil casos de dengue e 281 mortes, enquanto a Bahia chegou a 163 mil infecções e 188 óbitos, refletindo um padrão nacional de crescimento acelerado.
Expansão geográfica e fatores climáticos
De 2006 a 2024, o número de microrregiões brasileiras com níveis epidêmicos de dengue mais que dobrou, atingindo 292 áreas, o que corresponde a 54% do território. Anomalias térmicas – períodos de temperaturas atípicas – foram identificadas como o principal indicador climático da expansão, tornando o processo aparentemente irreversível.
Outras doenças emergentes
Além da dengue, a febre do Oropouche, antes restrita à Amazônia, causou mais de 12 mil casos em 23 estados e no Distrito Federal em 2023. Eventos extremos como secas, enchentes e incêndios favorecem surtos de leptospirose, hantavírus e até aumentam a exposição a fungos patogênicos como Candida auris e Aspergillus, que se adaptam a temperaturas mais altas.
Impactos na saúde pública
Especialistas alertam que a combinação de calor, umidade e eventos climáticos extremos intensifica a reprodução e a agressividade dos mosquitos, eleva a frequência de picadas e facilita a transmissão de vírus. A adaptação de fungos a temperaturas humanas eleva o risco de infecções graves, sobretudo em pacientes imunodeprimidos, exigindo novas estratégias de vigilância e controle.
Perspectivas e medidas
Os pesquisadores recomendam reforçar a monitorização climática, ampliar programas de prevenção e investir em pesquisas sobre vetores e patógenos emergentes. A integração entre saúde pública e políticas climáticas torna‑se essencial para conter a propagação de doenças que agora ultrapassam fronteiras regionais e nacionais.
📰 Leia a notícia completa em: Agência Brasil (EBC) »