As campanhas do Outubro Rosa costumam focar na prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de mama, mas pouco se fala sobre o período pós‑tratamento, quando o medo da recidiva pode permanecer. A psicóloga clínica Laís Mutuberria Vieira destaca que, embora familiares celebrem a remissão, muitas mulheres continuam lidando com inseguranças, transformações corporais e ansiedade que não desaparecem com o fim da quimioterapia ou radioterapia.
Desafios emocionais após a cura
Com o término das sessões de tratamento, o contato constante com profissionais de saúde diminui, gerando uma nova fase marcada por incertezas. Laís enfatiza a importância de manter o apoio emocional, respeitando o ritmo de cada paciente e ajudando-a a reconstruir a confiança em sua vida, mesmo diante da impossibilidade de eliminar todas as dúvidas.
Impactos físicos e na sexualidade
As sequelas físicas – cicatrizes, perda ou reconstrução da mama, fadiga prolongada e alterações hormonais – afetam a autoestima e a sexualidade. Essas mudanças podem influenciar a percepção de atratividade, o desejo e a intimidade, exigindo acompanhamento psicossocial para mitigar o impacto emocional.
Perspectiva multidisciplinar
Renata Reis Pinto, mastologista do INCA, reforça a necessidade de um tratamento multidisciplinar que inclua assistente social e psico‑oncologia. O suporte integral ajuda a lidar com questões práticas, como cuidados com filhos, e a monitorar o medo excessivo que pode requerer intervenção medicamentosa.
Voz da sobrevivente
Josiane Fernandes, que enfrentou cirurgia, quimioterapia e imunoterapia, relata que o medo persiste nas consultas de rotina. Ela defende a criação de cuidados específicos no pós‑tratamento, ressaltando que a vida após o câncer precisa ser reconstruída com apoio contínuo.
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