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📅 22/09/2026 ⏱ 16:56 📡 Medicina S/A 🤖 Gerado Automaticamente 🏷 SAúDE

Inteligência artificial pode contribuir para identificar sinais de depressão

Setembro Amarelo reforça a importância da prevenção do suicídio, da valorização da vida e da atenção aos sinais de sofrimento psíquico. Nesse contexto, uma pesquisa liderada por docentes da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCM– SCSP) demonstra como a ciência e a tecnologia podem contribuir para ampliar as possibilidades de identificação precoce de sinais associados à depressão. O estudo, publicado no periódico internacional PLOS Mental Health, utilizou inteligência artificial para analisar características acústicas da voz em áudios enviados pelo WhatsApp e identificou padrões relacionados a níveis elevados de sintomas depressivos, sem considerar o conteúdo das falas. A relevância social da pesquisa está justamente na possibilidade de desenvolver, no futuro, ferramentas acessíveis que auxiliem profissionais e serviços de saúde na identificação de pessoas que possam estar vivenciando sofrimento psíquico. Em um cenário no qual reconhecer precocemente alterações na saúde mental pode favorecer a busca por cuidado, tecnologias de baixo custo e de fácil utilização podem ampliar as possibilidades de triagem e acompanhamento, especialmente em contextos de telemedicina e saúde pública.

O estudo foi desenvolvido no Departamento de Saúde Mental da FCMSCSP, sob liderança do Prof. Uchida, médico psiquiatra e chefe do Departamento de Saúde Mental da Faculdade, em parceria com a empresa internacional de Digital Health Infinity Doctors (EUA). A pesquisa contou ainda com a participação dos docentes Prof. Doutor Lucas Murrins Marques, além do doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde e especialista em Inteligência Artificial da Infinity Doctors, Felipe O. Aguiar, entre colaboradores nacionais e internacionais.

A pesquisa analisou 160 participantes brasileiros, incluindo pacientes com diagnóstico clínico de Transtorno Depressivo Maior e indivíduos sem o transtorno. Os modelos de aprendizado de máquina foram treinados a partir de mensagens de voz espontâneas e apresentaram resultados superiores a 91% de acurácia entre mulheres e próximos de 75% entre homens em tarefas mais naturalistas, como a descrição da semana anterior. Uchida, os resultados evidenciam o potencial da integração entre ciência, avaliação clínica e inovação tecnológica no enfrentamento dos desafios contemporâneos da saúde mental. “Este estudo demonstra como a integração entre avaliação clínica rigorosa e inteligência artificial pode gerar ferramentas inovadoras, seguras e baseadas em evidências para apoiar a identificação precoce de transtornos mentais”, afirma. Os pesquisadores ressaltam, porém, que a tecnologia não substitui o diagnóstico médico nem a avaliação de profissionais especializados.

Trata-se de uma linha de investigação que pode contribuir para futuras estratégias de triagem, monitoramento e pesquisa. No contexto do Setembro Amarelo, iniciativas como essa reforçam que a prevenção passa também pelo investimento contínuo em ciência, informação e acesso ao cuidado. Identificar sinais de sofrimento é uma etapa importante, mas o acolhimento, a escuta qualificada e o encaminhamento para atendimento profissional permanecem fundamentais para a promoção da saúde mental e a valorização da vida.

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