Uma infecção que inicialmente parece controlável pode evoluir rapidamente para uma condição grave, capaz de comprometer órgãos vitais e colocar a vida do paciente em risco. Na sepse, o tempo é um dos principais fatores que determinam o desfecho. Segundo especialistas, reconhecer os sinais precocemente e iniciar o tratamento o mais rápido possível pode fazer diferença não apenas entre a vida e a morte, mas também na recuperação do paciente. “Na sepse, o tempo faz toda a diferença”, afirma Regis Rosa, vice-presidente do Instituto Latinoamericano de Sepsis (ILAS). Segundo ele, dois pacientes com a mesma infecção podem ter desfechos completamente diferentes dependendo da rapidez com que recebem atendimento. “Imagine dois pacientes com a mesma infecção. O primeiro busca atendimento prontamente, logo aos primeiros sinais e sintomas. Recebe antibiótico e tratamento de suporte rapidamente.
Consegue controlar a infecção antes que ela cause danos importantes ao organismo”, explica. Já quando há demora na busca por atendimento ou no diagnóstico, a resposta desregulada do organismo à infecção pode avançar rapidamente. “Em poucas horas, o paciente pode evoluir para um quadro de choque séptico ou disfunção orgânica múltipla, aumentando muito o risco de morte ou de danos permanentes”, alerta Regis. O impacto da sepse, porém, pode continuar mesmo depois da alta hospitalar. Sobreviventes podem enfrentar dificuldades nos meses ou até anos seguintes, incluindo problemas de memória, sintomas de ansiedade e depressão, fraqueza muscular e redução da qualidade de vida. “Quanto mais grave e prolongada a sepse, maior é o risco de ocorrência dessas sequelas”, afirma o especialista. Para Daniela Souza, médica intensivista pediátrica e membro da diretoria do Instituto Latinoamericano de Sepsis, o enfrentamento da sepse precisa começar antes mesmo de uma infecção evoluir para um quadro grave. “Falar em sepse é falar sobre um dos maiores desafios da saúde pública mundial.
A sepse é uma condição com elevada incidência, elevada mortalidade e elevada morbidade”, afirma. A especialista ressalta que, apesar da gravidade, mortes por sepse podem ser evitadas. Entre as estratégias de prevenção estão a imunização em todas as faixas etárias, a redução das infecções relacionadas à assistência à saúde e medidas simples, como a higienização adequada das mãos. O uso racional de antimicrobianos também é apontado como parte importante da prevenção e do controle do problema. Quando a sepse já está instalada, entretanto, a velocidade do atendimento volta a ser determinante. “Reconhecimento precoce e início imediato do tratamento continuam sendo as intervenções que mais salvam vida”, destaca a médica. Para ela, o combate à sepse deve ser tratado como prioridade dentro dos serviços de saúde. “Na sepse cada minuto conta e cada profissional pode fazer a diferença”, resume.
O alerta dos especialistas amplia a discussão sobre sepse para além da mortalidade. O objetivo não é apenas evitar que o paciente morra, mas também reduzir a possibilidade de sequelas e favorecer uma recuperação mais rápida. “Um rápido diagnóstico e um pronto atendimento da sepse não aumenta apenas a chance de sobrevivência, aumenta a chance de uma recuperação mais rápida, com menos sequela e mais qualidade de vida”, afirma Regis Rosa. O recado, portanto, é direto: diante de uma infecção, o reconhecimento de uma possível evolução para sepse e a busca rápida por atendimento são fundamentais. Para os especialistas, quanto mais cedo a condição for identificada e tratada, maiores são as possibilidades de controlar a infecção antes que ela provoque danos graves ao organismo.
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