Reorganização das Cadeias Globais de Saúde
A reorganização das cadeias globais de Saúde vem criando uma nova disputa por fornecedores confiáveis, capacidade produtiva e segurança de abastecimento. Em um cenário marcado por tensões comerciais, tarifas, instabilidade geopolítica e preocupação com a concentração da produção em poucos países, a indústria brasileira de Dispositivos Médicos tem a oportunidade de ampliar sua presença internacional e, ao mesmo tempo, fortalecer a autonomia produtiva do país em tecnologias essenciais para a Saúde.
Oportunidade para a Indústria Brasileira
Dispositivos Médicos incluem equipamentos hospitalares, produtos para diagnóstico, implantes, próteses, materiais utilizados em procedimentos médicos, tecnologias odontológicas e outras soluções fundamentais para a prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação de pacientes. A ABIMO — Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos — acredita que o Brasil tem uma indústria de Dispositivos Médicos consolidada, experiência exportadora e competência tecnológica para ocupar uma posição mais estratégica nesse novo contexto internacional.
Desafios e Oportunidades
O mercado brasileiro de Dispositivos Médicos movimentou R$ 85,4 bilhões em 2025, crescimento de 13,9% em relação ao ano anterior. No entanto, o país ainda registra elevada dependência externa em segmentos estratégicos, com déficit da balança comercial do Setor alcançando US$ 9,9 bilhões. A ABIMO destaca que o Brasil possui escala, demanda e base industrial, mas ainda precisa transformar esse potencial em uma política consistente de competitividade, inovação e adensamento produtivo.
Exportações e Competitividade
A indústria brasileira já exporta para alguns dos mercados mais exigentes do mundo, como Estados Unidos, Alemanha, Bélgica, Suíça e Países Baixos. As exportações do Setor alcançaram US$ 407,4 milhões entre janeiro e maio de 2026. A ABIMO avalia que a discussão sobre Dispositivos Médicos deixou de ser apenas uma pauta de comércio exterior e passou a integrar agendas de desenvolvimento econômico, inovação, segurança sanitária e soberania produtiva.
Conclusão
A ABIMO acredita que o Brasil pode ampliar sua presença internacional e, ao mesmo tempo, reduzir vulnerabilidades internas em tecnologias essenciais. Para isso, será necessário avançar em políticas de longo prazo voltadas ao financiamento da inovação, à modernização regulatória, à ampliação das exportações e à previsibilidade para investimentos.
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