Grandes Bases de Dados em Saúde: Ferramenta para Políticas Públicas
Os registros produzidos diariamente pelos sistemas nacionais de informação em saúde no Brasil estão sendo transformados em uma poderosa ferramenta para políticas públicas, medição da efetividade de vacinas, identificação de desigualdades sociais e detecção precoce de surtos infecciosos.
Segundo o médico imunologista Manoel Barral-Netto, o Brasil possui um dos maiores acervos de dados em saúde do mundo, acumulado ao longo de décadas e abrangendo quase toda a população. O desafio é transformar esses dados em conhecimento útil para melhorar a saúde da população.
Infraestrutura de Dados em Saúde no Brasil
O país reúne condições excepcionais para investigação em saúde devido ao seu amplo acervo de dados, que inclui registros nacionais de nascimentos, óbitos, internações hospitalares, vacinação, atenção primária e vigilância epidemiológica.
Esses dados são organizados em bases consolidadas desde a criação do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), em 1991, e são utilizados por organismos como o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs) e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Saúde Digital (DigiSaúde).
Aplicação dos Dados em Políticas Públicas
Os resultados produzidos ilustram o potencial dessa abordagem, com estudos mostrando que programas de transferência de renda reduziram significativamente a mortalidade infantil evitável no Nordeste, e que desigualdades socioeconômicas continuam influenciando os desfechos em saúde mesmo sob cobertura universal do SUS.
Além disso, o sistema de vigilância ativa VigiVac, criado durante a pandemia de covid-19, avalia continuamente a efetividade e a segurança das vacinas em condições reais de utilização, integrando registros individuais de vacinação com informações sobre hospitalizações, óbitos e notificações de casos graves.
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