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📅 17/06/2026 ⏱ 15:11 📡 Medicina S/A 🤖 Gerado Automaticamente 🏷 SAúDE

ONA lança novo Manual de Certificação para Serviços de Cirurgia Cardiovascular

A ONA – Organização Nacional de Acreditação – lança o Manual de Certificação para Serviços de Cirurgia Cardiovascular com a proposta de padronizar protocolos, reduzir falhas assistenciais e aumentar a segurança do paciente em todo o país. A iniciativa surge em um cenário preocupante: o Brasil registrou entre 2016-2025, 9.487 mortes após cirurgias cardíacas eletivas em adultos (média anual de 949 mortes). Em 2025 o número saltou para 1.224 (↑29%), segundo dados do Ministério da Saúde (Sistema de Informações hospitalares – SIH/SUS). Dados que representam uma média de 6,3% na mortalidade hospitalar e de 11,2 dias no tempo de internação em cirurgias cardíacas eletivas no país. Indicadores modificáveis que merecem atenção, mas que, infelizmente, permanecem iguais há mais de 10 anos. “ O lançamento deste manual representa um avanço decisivo para a segurança do paciente no país. Ao padronizar protocolos ao longo de toda a jornada — do acolhimento ao pós-operatório — conseguimos reduzir falhas no atendimento, diminuir riscos e tornar o cuidado mais seguro e previsível. Isso tem impacto direto nos desfechos clínicos e, principalmente, naquilo que mais importa: salvar vidas”, ressalta a gerente geral de Operações da ONA – Organização Nacional de Acreditação, Gilvane Lolato. Na prática, o manual chama atenção para um ponto central: a qualidade da assistência não depende apenas da complexidade da cirurgia, mas de toda a organização do cuidado ao longo da jornada do paciente.

Atendimento rápido pode salvar vidas – Desde o primeiro contato com o paciente, a adoção de protocolos de acolhimento e classificação de risco é essencial para identificar rapidamente quadros mais graves, oportunidade de otimização e garantir acesso prioritário ao diagnóstico e à cirurgia. “ Em cirurgia cardíaca, o tempo é determinante. Quando vem indicada, precisa de correção após otimização. Se houver atraso na triagem ou na decisão, o risco aumenta significativamente”, afirma o professor em Cirurgia Torácica e Cardiovascular pela FMUSP e especialista convidado da ONA, Omar Asdrubal Vilca Mejia. Falta de organização ainda atrasa cirurgias – Outro ponto crítico é a organização interna dos serviços de saúde. A integração entre leitos, agendas cirúrgicas, equipes e unidades como UTI, centro cirúrgico e enfermaria evitam atrasos, cancelamentos e falta de recursos no momento do procedimento. O manual reforça que previsibilidade e priorização por gravidade são fundamentais para garantir segurança e melhores resultados. Decisão baseada em evidência reduz erros – O documento também destaca a importância de decisões clínicas baseadas em evidência científica, com protocolos que orientam desde a solicitação de exames até a definição da cirurgia. A discussão multiprofissional ganha espaço, principalmente em casos complexos, ao permitir decisões mais seguras e alinhadas ao perfil do paciente.

“ Quando há integração entre as equipes, o risco diminui e a qualidade aumenta”, destaca o doutor. Checklist e protocolo evitam falhas graves – Dentro do centro cirúrgico, o cumprimento rigoroso de protocolos de segurança é indispensável. A confirmação da identidade do paciente, a verificação do procedimento e o monitoramento contínuo são medidas simples, mas que reduzem significativamente eventos adversos. O manual também reforça a necessidade de resposta rápida diante de qualquer intercorrência e o trabalho em equipe feita por profissionais capacitados Complicações ainda acontecem no pós-operatório – O cuidado não termina na cirurgia. O pós-operatório é uma fase crítica, que exige monitoramento constante para identificar sinais de deterioração clínica, como infecções, sangramentos ou piora do quadro. Protocolos de resposta rápida e equipes treinadas fazem diferença direta na redução de mortes evitáveis, conhecida como falha no resgate. Este se torna o melhor indicador para avaliar o desempenho de hospitais em relação a infraestrutura e trabalho em equipe. Alta sem orientação aumenta risco de voltar ao hospital – Outro alerta está no momento da alta. Sem orientações claras e acompanhamento estruturado, aumentam as chances de complicações e reinternações.

O manual recomenda que o paciente saia com informações detalhadas, sinais de alerta e retorno já programado. Sem medir, não dá para melhorar – O documento também reforça a importância de acompanhar indicadores como mortalidade, complicações e tempo de espera. A análise desses dados permite identificar falhas e corrigir processos. “ Protocolo não pode ficar no papel. Precisa ser aplicado, monitorado e ajustado continuamente”, conclui o especialista. Com foco na padronização, na segurança e na tomada de decisão baseada em evidência, o novo manual surge como uma ferramenta estratégica para enfrentar dois maiores desafios da saúde no país: reduzir as mortes nas filas cirúrgica e as mortes evitáveis após cirurgia cardíaca garantindo um cuidado mais seguro, de qualidade e eficiente.

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